sexta-feira, 1 de junho de 2012

Os Cânones de Dort - Capítulo 2 - Artigo 1 A morte de Cristo e a Redenção do Homem por meio dela


Artigo 1 – O castigo que a justiça de Deus exige: Deus é não só supremamente misericordioso, mas também supremamente justo. E como Ele se revelou em sua Palavra, sua justiça exige que nossos pecados, cometidos contra sua infinita majestade, sejam punidos nesta vida e na futura, em corpo e alma. Não podemos escapar destas punições a menos que seja cumprida a justiça de Deus.
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Parece que a justiça e a misericórdia são irreconciliáveis. Como pode Deus ser justo e justificador a um só tempo? Como um justo juiz pode justificar um réu que deveria ser condenado? O próprio Deus diz: porque não justificarei o ímpio”; Ele também garantiu “...que ao culpado não tem por inocente; que visita a iniquidade dos pais sobre os filhos e sobre os filhos dos filhos até à terceira e quarta geração” - Êxodo 23.7; 34.7. Contudo, o apóstolo Paulo nos ensinou que Deus justifica o ímpio, quando disse: “Para demonstração da sua justiça neste tempo presente, para que ele seja justo e justificador daquele que tem fé em Jesus” - Romanos 3.26;  e,  “Mas, àquele que não pratica, mas crê naquele que justifica o ímpio, a sua fé lhe é imputada como justiça” - Romanos 4.5. Até parece uma contradição, mas há uma explicação. A única maneira de Deus ser justo e também justificador seria cobrando de outro a nossa dívida. Para que Ele pudesse nos justificar, Alguém deveria sofrer a nossa penalidade. Esse Outro foi Jesus - “Verdadeiramente ele tomou sobre si as nossas enfermidades, e as nossas dores levou sobre si; e nós o reputávamos por aflito, ferido de Deus, e oprimido. Mas ele foi ferido por causa das nossas transgressões, e moído por causa das nossas iniquidades; o castigo que nos traz a paz estava sobre ele, e pelas suas pisaduras fomos sarados Isaías” - 53.4-5. Ele recebeu sobre si a punição que a nós estava imposta pela justiça de Deus. Por isso se diz que aquele que foi justificado por Deus jamais será condenado, porque isso seria cobrar duas vezes a mesma dívida. Mas aquele que não foi justificado, esse, indubitavelmente será cobrado pela justiça de Deus.

quarta-feira, 30 de maio de 2012

Os Cânones de Dort - Capítulo 1 - Artigo 18


Artigo 18 - Não protesto, mas sim adoração: Aos que se queixam da graça da eleição imerecida e da severidade da justa reprovação, replicamos com as palavras do apóstolo: Mas, ó homem, quem és tu, que a Deus replicas? Porventura a coisa formada dirá ao que a formou: Por que me fizeste assim?  (Romanos 9.20), e com essas palavras do nosso Salvador: Ou não me é lícito fazer o que quiser do que é meu?  (Mateus 20.15). Nós, porém, adorando com reverência estes mistérios, exclamamos com o apóstolo: Ó profundidade das riquezas, tanto da sabedoria, como da ciência de Deus! Quão insondáveis são os seus juízos, e quão inescrutáveis os seus caminhos!  Porque, quem compreendeu a mente do Senhor? Ou quem foi seu conselheiro?  Ou quem lhe deu primeiro a ele, para que lhe seja recompensado? Porque dele e por ele, e para ele, são todas as coisas; glória, pois, a ele eternamente. Amém (Romanos 11.33-36). 
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Somos criaturas e nenhuma criatura pode sequer imaginar compreender tudo de seu Criador, porque o Criador é ilimitado e infinito, e todas as Suas criaturas são naturalmente limitadas e finitas. Mas como somos homens e habitamos neste mundo onde o pecado entrou através de Adão, temos a agravante da queda, somos criaturas caídas - pecadores corruptos. Tudo em nós foi contaminado pelo pecado: nosso corpo, nossa mente, vontade, emoções. Com todo esse know-how jamais poderíamos compreender os mistérios de Deus, se Ele mesmo não removesse as trevas da nossa mente. Então, naquilo que não entendemos, é sábio, nos prostrar humildemente e adorar ao Senhor. A doutrina da eleição envolve a providência de Deus, que é a maneira como Ele sustém, governa e dirige toda a sua criação para o fim decretado por Ele mesmo desde a eternidade. Por um lado temos diante de nós o padrão da justiça de Deus estabelecido em sua santa lei, por outro lado, vemos nossa total incapacidade para obedecê-la, mas quando olhamos para o alto encontramos a solução que Ele mesmo proveu para nós - a vida e a justiça de seu Filho. O crente que recebeu a revelação e compreendeu isto, rende-lhe louvor e ações de graças. E ao que ouvir essa bendita doutrina e quiser argumentar ouça: “Portanto, os meus estatutos e os meus juízos guardareis; os quais, observando-os o homem, viverá por eles. Eu sou o Senhor” - Levítico 18.5;  “E eis que se levantou um certo doutor da lei, tentando-o, e dizendo: Mestre, que farei para herdar a vida eterna? E ele lhe disse: Que está escrito na lei? Como lês? E, respondendo ele, disse: Amarás ao Senhor teu Deus de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todas as tuas forças, e de todo o teu entendimento, e ao teu próximo como a ti mesmo. E disse-lhe: Respondeste bem; faze isso, e viverás” - Lucas 10.25-28. Se alguém puder fazer isso que o faça e depois verá se Deus o aprovará. Mas quem for sábio ponha a sua boca no pó e diga: “E não entres em juízo com o teu servo, porque à tua vista não se achará justo nenhum vivente” - Salmo 143.2; “Ó Deus, tem misericórdia de mim, pecador!” - Lucas 18.13.

segunda-feira, 28 de maio de 2012

Os Cânones de Dort - Capítulo 1 - Artigo 17


Artigo 17 – Os filhos de crentes que morrem na infância: Devemos julgar a respeito da vontade de Deus com base na sua Palavra, que declara que os filhos de crentes são santos, não por natureza, mas em virtude da aliança da graça da qual participam juntamente com seus pais. Por causa disso, pais tementes a Deus não devem ter dúvida da eleição e salvação de seus filhos, que Deus chamou desta vida ainda na infância.
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A congregação do Senhor é formada por homens, mulheres e crianças. Isto é, todos os membros da família. As crianças fazem parte da assembleia dos santos - “E enquanto Esdras orava, e fazia confissão, chorando e prostrando-se diante da casa de Deus, ajuntou-se a ele, de Israel, uma grande congregação, de homens, mulheres e crianças; pois o povo chorava com grande choro” - Esdras 10.1. O Senhor disse que os filhos dos crentes são seus e os vindicou através do profeta - “Além disto, tomaste a teus filhos e tuas filhas, que me tinhas gerado, e os sacrificaste a elas, para serem consumidos; acaso é pequena a tua prostituição? E mataste a meus filhos, e os entregaste a elas para os fazerem passar pelo fogo” - Ezequiel 16.20-21. Os filhos dos crentes participam das promessas da Aliança juntamente com seus pais e o batismo é o selo que lhes garante e assegura essas promessas. Por isso mesmo devem receber o batismo logo quando nascem, sendo assim separados para Deus. Enquanto crescem, os pais devem lhes falar da sua natureza pecaminosa e da provisão graciosa de Deus; ensinar-lhes os privilégios e responsabilidades decorrentes do status que possuem, até eles terem idade de responderem por si mesmos a Deus. Contudo, se houver uma interrupção nesse relacionamento e Deus chamar algum deles, devemos confiar que esse foi o melhor momento para aquele que foi chamado e que ele foi para o Senhor. Se qualquer dessas crianças for levada por Deus, devemos crer que foi salva. Sabemos que para ser salvo, o pecador precisa ser regenerado; os filhos da Aliança também. O sinal externo, o batismo, não é garantia da salvação, mas ele assegura as promessas da Aliança, por isso devemos descansar no Senhor e confiar firmemente nessas promessas. Quando Deus chama um filho da Aliança na infância devemos confiar que Deus completou a sua redenção naquele infante membro da Sua Congregação.

quinta-feira, 24 de maio de 2012

Os Cânones de Dort - Capítulo 1 - Artigo 16


Artigo 16 – Como reagir à doutrina da reprovação: Alguns há que ainda não discernem claramente em si mesmos, uma fé viva em Cristo, nem confiança firme no coração, nem boa consciência, nem zelo pela obediência filial e pela glorificação de Deus por meio de Cristo. Apesar disso, eles usam os meios pelos quais Deus prometeu operar tais coisas em nós. Eles não devem se assustar quando se fala da reprovação, nem devem se incluir entre os reprovados. Pelo contrário, devem continuar a usar esses meios com diligência, a almejar com fervor um tempo de graça mais abundante e esperá-lo com reverência e humildade. Há também outros que desejam se converter a Deus com seriedade, tão somente para O agradar e para serem libertos do corpo da morte, contudo não conseguem chegar até onde gostariam no caminho da piedade e da fé. Essas pessoas não deveriam ter tanto medo da doutrina da reprovação, pois Deus, que é misericordioso, prometeu que não esmagará a cana quebrada e não apagará o pavio que fumega (Mateus 12.20). Há ainda outros que desprezam a Deus e ao Senhor Jesus Cristo e que se entregam completamente aos cuidados do mundo e às concupiscências da carne. Para esses, a doutrina da reprovação é mesmo apavorante, pois não se voltam para Deus com seriedade.
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Diante desta doutrina todos devemos nos humilhar, nos prostrar e adorar “Ao que está assentado no trono e ao Cordeiro”, reconhecendo quão indignos e miseráveis todos somos, e quão merecedores da punição eterna nos tornamos. O homem é uma criatura caída sentada no banco dos réus diante do Grande Juiz, que “a um abate e a outro exalta”, segundo o Conselho Eterno da sua vontade. Há momentos que todos nós, salvos em Cristo, temos mais consciência da nossa fraqueza, impotência e de quão atrasados estamos no caminho da santificação. Pois de fato todos os verdadeiros crentes gostariam de ser mais piedosos, pois sempre achamos que estamos em débito. E se houver alguns, que de tão fracos e débeis, chegarem quase a desanimar por não verem em suas vidas os frutos que gostariam de ver, a fé viva e a intrepidez que veem nos outros santos, nem por isso devem sentir-se reprovados quando ouvirem esta doutrina. É preciso, contudo, diferenciar fraqueza de negligência, imperfeição de rebeldia, embaraço de indolência ou preguiça. O fato de alguém sentir-se fraco, débil, impotente, grande pecador e imerecedor da salvação revela que Deus está agindo em sua vida. Pode ser mais preocupante quando a pessoa se acha muito confortável e segura de si e da sua eleição, em suas orações, em seu serviço a Deus, em suas obras. É bom lembrar sempre que tudo que você recebe é por graça e pelos méritos de Jesus Cristo. Se a pessoa luta com dificuldades, fraquezas, limitações para compreender certos pontos da doutrina, insatisfação com sua piedade, mas é sincero e tem propósito sincero de mudar e esforça-se para isso, não deve temer. A ameaça fica para aqueles que têm uma falsa paz, uma falsa segurança, não têm santificação e isto não os preocupa. Esses devem tremer diante desta doutrina.  

segunda-feira, 21 de maio de 2012

Os Cânones de Dort - Capítulo 1 - Artigo 15


Artigo 15 – A descrição da reprovação: As Escrituras Sagradas mostram e nos recomendam esta graça eterna e imerecida da nossa eleição, especialmente quando além disso declaram que nem todos os homens são eleitos, mas que alguns não o são, ou seja, foram preteridos na eleição eterna de Deus. Deus, pelo seu beneplácito mui soberano, justo, irrepreensível e imutável, decretou deixá-los na miséria comum em que se lançaram por sua própria culpa e não lhes concedeu a fé salvadora, nem a graça da conversão. Para mostrar Sua justiça, Deus os deixou em seus próprios caminhos e debaixo do Seu justo juízo, decretando, por fim, os condenar e punir eternamente, não apenas pela incredulidade deles, mas também por causa de todos os seus outros pecados. Este é o decreto da reprovação, o qual não faz de Deus o autor do pecado (tal pensamento é blasfêmia!), antes O revela como o terrível, irrepreensível e justo Juiz e Vingador do pecado.
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Toda escolha implica uma rejeição. Se Deus escolheu uns para serem redimidos através de Jesus Cristo, obviamente também rejeitou outros, abandonando-os em suas misérias espirituais. Se Deus salvasse a todos a Bíblia não falaria sobre escolha. Seria desnecessário. Mas de Gênesis ao Apocalipse encontramos o assunto. Então é porque Deus fez uma escolha. E antes de subir qualquer pensamento em nossas mentes é preciso lembrar que Ele é o Criador e que não há ninguém acima dele. Logo ninguém há que possa avaliar suas obras e ações senão Ele próprio, e Ele o fez; e assim está escrito: “E viu Deus tudo quanto tinha feito, e eis que era muito bom” - Gênesis 1.31. Quem mais pode avalia-lo? Sabemos que tudo quanto Ele faz é bom, é justo, é certo. Tudo quanto Deus faz tem propósitos sublimes, dignos, nobres, porque são segundo o seu caráter. Se lhe apraz deixar os homens andarem em seus próprios caminhos para depois puni-los revelando Sua imutável justiça, Ele o faz - “O qual nos tempos passados deixou andar todas as nações em seus próprios caminhos” - Atos 14.16; - “Portanto eu os entreguei aos desejos dos seus corações, e andaram nos seus próprios conselhos” - Salmo 81.12. Os que se perdem, não é por causa da sua incredulidade apenas, mas por causa de todos os seus pecados que não foram expiados. Novamente lembramos que o Senhor Jesus disse aos judeus incrédulos que eles não podiam crer porque não eram ovelhas - “Mas vós não credes porque não sois das minhas ovelhas, como já vo-lo tenho dito” - João 10.26. Não disse que não eram ovelhas porque não criam, mas que não criam porque não eram ovelhas. As ovelhas creem porque recebem fé para crer, porque foram escolhidas de o princípio pelo Supremo Conselho de Deus - “Que nos salvou, e chamou com uma santa vocação; não segundo as nossas obras, mas segundo o seu próprio propósito e graça que nos foi dada em Cristo Jesus antes dos tempos dos séculos - 2ª Timóteo 1.9.

sexta-feira, 18 de maio de 2012

Os Cânones de Dort - Capítulo 1 - Artigo 14


Artigo 14 – Como se deve ensinar a Eleição: A doutrina da eleição divina, segundo o mui sábio conselho de Deus, foi pregada pelos profetas, pelo próprio Cristo e pelos apóstolos, tanto debaixo do Antigo Testamento como no Novo Testamento, sendo então registrada por escrito nas Escrituras Sagradas. Assim, também hoje, essa doutrina deve ser ensinada na Igreja de Deus - para qual ela foi particularmente destinada -, em tempo e lugar apropriados, com espírito criterioso, de modo reverente e santo, sem curiosa investigação nos caminhos do Altíssimo, para a glória do Santíssimo nome de Deus, e para a viva consolação do Seu povo.
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Tudo o que está na Bíblia deve ser pregado e ensinado à Igreja do Senhor. Assim fizeram os ministros de Deus desde os primórdios da Igreja. Tudo quando os profetas e apóstolos falaram e escreveram, o fizeram sob inspiração do Espírito Santo, e, portanto, é proveitosa para os a edificação dos crentes - “Toda a Escritura é divinamente inspirada, e proveitosa para ensinar, para redarguir, para corrigir, para instruir em justiça...  Porque a profecia nunca foi produzida por vontade de homem algum, mas os homens santos de Deus falaram inspirados pelo Espírito Santo” - 2ª Timóteo 3.16; 2ª Pedro 1.21, por isso mesmo deve ser ministrado à Congregação de Deus. Esse era o método do apóstolo Paulo que também foi inspirado pelo Espírito Santo: ensinar toda a Palavra de Deus, todo o Conselho de Deus - “Porque nunca deixei de vos anunciar todo o conselho de Deus” - Atos 20.27. A doutrina da eleição é grandemente confortante e consoladora para os santos. Aquele que é de Deus, ouve, crê, prostra-se e adora. Se Deus falou ele crê, confia e descansa. Todavia ela deve ser ensinada com critérios e sabedoria. Convém que quando esse assunto for ensinado, faça-se um estudo completo, sistemático, com pessoas que já tenham lido a Bíblia toda, ao menos uma vez, para que o estudo seja mais proveitoso e mais facilmente compreendido. Isto não quer dizer, absolutamente, que não se deva pregar para qualquer público, sermões expositivos ou até temáticos sobre esse assunto, se Deus assim conduzir. Lembrando sempre que diante de todos os mistérios de Deus devemos nos aproximar com reverência e humildade, nunca com espírito de curiosidade. Deus é bom e revelou-se a ao seu povo e bem como revelou tudo quanto precisamos saber para servi-lo. Como nosso Pai Ele nos revela tudo o que importa sabermos, o necessário, o suficiente. Os limites são óbvios – Ele é Deus Criador e nós criaturas caídas que Ele bondosamente redimiu, reconciliou, e adotou como seus filhos. Que mais precisamos saber?

quarta-feira, 16 de maio de 2012

Os Cânones de Dort - Capítulo 1 - Artigo 13



Artigo 13 – O valor desta certeza: A consciência e a certeza da eleição fornecem aos filhos de Deus maior motivo para se humilharem diariamente diante Dele, para adorarem a profundidade das suas misericórdias, para se purificarem, e para amarem fervorosamente Aquele que os amou primeiro de modo tão grandioso. Contudo absolutamente não é verdade que a doutrina da eleição e o meditar nela os façam relaxar na observação dos mandamentos de Deus ou os rendam falsamente seguros. No justo juízo de Deus isso normalmente ocorre aos que supõem atrevidamente ter a graça da eleição, ou que dela falam de modo leviano e jactancioso, mas que se recusam a andar nos caminhos dos eleitos.
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Um eleito autêntico [e é preciso dizer assim, porque há supostos eleitos] jamais se vangloria de haver sido escolhido, pois sabe que não foi por seu mérito pessoal, mas pelos méritos de Cristo Jesus. Não haveria nada tão patético quanto um mendigo orgulhar-se de um presente que acabara de receber. Ele pode se alegrar, mas jamais se orgulhar supondo que o merecia. Isso seria completo ridículo e absurdo. Contudo, despropósito muito maior seria um escolhido de Deus vangloriar-se dessa escolha e aplaudir Deus. Nenhum eleito cometeria tal absurdo. Charles Spurgeon disse com boa dose de humor, mas com muita sobriedade, algo parecido com isto: “Sei que Deus escolheu-me antes de eu nascer, porque depois Ele não o teria feito”. Voltando ao mendigo, ele jamais acharia que alguém lhe daria um presente porque viu nele algum mérito pessoal, a menos que tal mendigo fosse grandemente desequilibrado. E é o que acontece com alguns supostos crentes. Vangloriam-se da sua salvação, de sua eleição, de sua espiritualidade como se neles houvesse grandes méritos muito bem reconhecidos por Deus. Diversamente, o eleito de Deus, sente-se humilhado por receber tal bênção imerecidamente. E quanto mais percebe o contraste entre a grandiosidade da dádiva e seu demérito, tanto mais humilhado fica. Por isso mesmo tal bênção jamais o torna relapso, ao contrário, fá-lo deleitar-se mais na comunhão do Senhor e desejar ardentemente ser parecido com Ele. Sabe que continua habitando num corpo que se ajusta bem a este mundo caído e ao sistema de satanás, então precisa vigiar e orar em todo o tempo, mantendo-se sob a disciplina da Palavra e do Espírito Santo. Como está escrito: E qualquer que nele tem esta esperança purifica-se a si mesmo, como também ele é puro” - 1ª João 3.3.